os dias passam e a vida parece escorrer-me por entre os dedos, sem me aperceber.
não a consigo alcançar pois já não tenho forças suficientes para isso. perdi-me no meio de toda esta encruzilhada e limitei-me a ver o que queria; limitei-me a traçar o meu destino da maneira mais fácil mas ao mesmo tempo mais monótona.
não suporto a ideia de ter mudado, mesmo que inconscientemente. não suporto o facto de já não me perceber a mim nem o que se passa á minha volta (...) tenho feito parte de um vazio que apesar de lá inserida, não consigo entender nem interpretar.
tenho-me questionado várias vezes sobre o que é o melhor para mim, mas a verdade é que me tenho sentido sozinha ! tenho tido pensamentos e sonhos acidentalmente, tenho lutado por uma "coisa" que sei que nunca vou conseguir. no fundo, tenho vivido no meu mundo, esquecendo-me do mundo dos outros e da relação que tenho com ele.
mas o mundo dos outros eu controlo. já o meu, só me perturba (...)
este dia marcou. não só pelo facto de ter feito o que fiz, mas também pelo motivo.
mais uma vez, fui massacrada pelas (muitas) memórias que me deixaste e que de há muito me devia ter separado (...)
com o acumular de todos os acontecimentos onde sempre foste tu o centro, eu esqueci-me de que tinha uma vida e mais grave ainda: esqueci-me de mim.
talvez seja egoísta por dizê-lo, mas tu és/foste uma autêntica perda de tempo.
não sou pessoa de desistir de nada, mas se até já de mim própria desisti, porque não desistir de ti também ? e logo de ti, que nunca mereceste toda a luta ?
esquece, estou demasiado cansada para este tipo de perguntas, pois sei que não há respostas para elas. assim como não há explicação para o facto de me ter "livrado" de todas as nossas recordações, visto que ainda fazes parte da minha vida.
falemos da ilusão. falemos de histórias com finais felizes, príncipes e princesas.
há dias em que me identifico com tudo isto, mas são todos os dias em que me identifico contigo.
não consigo perceber. talvez não dê mesmo para perceber (...)
já transcrevi inúmeras vezes o quanto injusto e insensato é o que sinto dentro de mim, mas nunca desta maneira. é difícil perceber, mas muito mais difícil sentir, principalmente quando não é aquilo que queremos.
durante todo este tempo, a ilusão tem ultrapassado quaisquer tipo de limites, assim como a vontade de um final feliz, que na realidade não existe e é perfeito demais, até mesmo para um príncipe e uma princesa, que apenas juntos conseguem mostrar o seu poder.
eu sei que nunca gostaste destas histórias. mas então e dos finais felizes ?
também sei que lutas por um. mas deixa-me que te diga, que não haverá princesa com poder maior que o meu, para te iludir de maneira a que o conquistes.
é o último texto que este ano escrevo. pena que não seja o último para ti também (...)
hoje fiz de tudo para conseguir pôr um ponto final nesta história, que apesar de monótona me tem atormentado insistentemente.
não sei como nem porquê, mas sempre que tento destruir uma recordação tua, falta-me tudo, principalmente a coragem.
é mau só conseguir lembrar-me de ti desta maneira (...) mas também é certo, que nem desta maneira me devia lembrar.
por isso mesmo, começo a habituar-me a estes "jogos" de incerteza que persistem na minha rotina e me vão consolando a alma, que neste momento se mostra completamente cega, sem se aperceber do mal que me estás a fazer e na pessoa que me estás a tornar.
é verdade que já nem me reconheço. mas e tu ? tens noção de que também mudaste ?
lamento muito essa mudança, mas lamento ainda mais o que sinto e o que até hoje ninguém conseguiu mudar, mesmo quando não estás por perto.
nunca escrevo em vão.
ao contrário do que possas pensar “minha amiga”, todos os textos que escrevo são sentidos (até demais) e por isso, consigo detectar qualquer linha por mim escrita em qualquer texto.
é exactamente o que acontece, cada vez que me deparo com um texto teu.
porquê ? porquê eu não sei, mas também não estou á espera de saber.
a única coisa que posso concluir é que de uma vez por todas, tirei todas as confusões que tinha sobre ti da minha cabeça. desta vez, tive a certeza que no teu mundinho que dizes ser de adolescente, não cabe nada, nem mesmo os sonhos e a auto-confiança.
e isto tudo, porque se por acaso confiasses mais em ti, nunca na vida precisarias de me seguir como exemplo, muito menos em textos que escreves e que dizes sentir.
é brincadeira que queres ? é brincadeira que vais ter.
(e daquelas brincadeiras de criança, tal como tu gostas).
podia pedir-te muita coisa, nesta altura. podia exigir muito mais de ti, cada vez que me decepcionas ou me encorajas a voltar a ser a mesma.
mas onde está essa coragem ? a decepção que me dás é muito maior e eu não tenho forças superiores a ela.
há bem pouco tempo, sujeitei-me a ver todas as fotos que preenchem o meu quarto. o brilho que elas lhe dão, é incrível. tenho muita pena que não as vejas todos os dias como eu.
mas sim, eu sei que não há nada a fazer (...) qualquer coisa que fizesse ou tentasse fazer, seria inútil perante todo o teu desempenho nos últimos tempos.
só quero que te lembres (como eu), daqueles dias de verão, em que mais que felizes, éramos o espelho um do outro, onde não havia força maior que destruísse a beleza do nosso mundo, nem mesmo a decepção.
e se calhar não devia dizê-lo, mas cheguei á conclusão de que o bom das fotos é que elas nunca mudam, mesmo que as pessoas que estejam nelas mudem.

não gostas nem nunca gostaste de amar. é a perseguição que te dá prazer.
jogas sempre meticulosamente: levas tempo, examinas cuidadosamente o jogador involuntário.
não deixas de maneira nenhuma passar um único gesto, movimento ou expressão.
tudo está estudado para um único objectivo: a vitória.
mesmo assim, pareces retirar prazer dos fracassos. é como se adivinhasses que eles se aproximavam e como se ainda estivesses no controlo.
sempre adoraste desafios e eu devia ter sabido que não era nada mais que um peão num desses teus doentios jogos.
é incrível quão bom jogador és.
infelizmente é mais uma coisa que fazes perfeitamente e sem quaisquer falhas. ages como se estivesses a mover peças, sempre com essa enorme facilidade e habilidade digna de um profissional.
tenho de te reconhecer o mérito pois nunca sequer me apercebi que estávamos a jogar. mas agora vejo a minha figura reflectida no novo peão que arranjaste em minha substituição: reconheço essa resistência no início, mas total submissão no fim.
e eu a pensar que comigo era diferente. sempre pensamos que connosco é diferente (...)
no entanto, não há-de faltar muito até este jogo se tornar também algo fácil de atingir e queiras um desafio maior.
um dia, hás-de perder. hás-de não só perder o jogo mas também toda a tua gloriosa habilidade.
talvez aí começes a agir como todos nós e passes também tu a ser uma peça nas mãos de alguém.
eu vou estar aqui a assistir, como sempre.
não é comum ficar sem palavras. por vezes perco-lhes o sentido, mas nunca me abandonam completamente. ontem, porém, aconteceu-me.
não percebi ou então, fiz questão de não querer perceber quais foram os motivos daqueles teus exibicionistas gestos.
perante todos os nossos amigos, cheguei a perguntar-me: "como podem eles esperar tanto de alguém que é tão pouco ?".
talvez não te conheçam ou lhes passe completamente ao lado todo o distúrbio que causas e por isso o ignorem.
não percebi ontem e hoje, muito menos. mas também não preciso !
fizeste um enorme esforço para me ignorar, foi notório. até para mim, que nunca acredito no que me contam sobre a tua pessoa, tornou-se óbvia a tua preparação mental para ontem me enfrentares sem uma única ruga de expressão nesse tão (im)perfeito rosto.
mas sabes, também eu me esforcei. esforcei-me para fingir que não reparei (talvez).
nunca me tinha sentido assim.
já tinha sentido que não estava completa, mas nunca completamente vazia.
mesmo depois do fim, continuas a destruir a minha vida: os meus amigos ficam chateados se não lhes falo porque estou cega para tudo que não sejam os teus olhos. os professores ficam aborrecidos porque, apesar da minha estranha calma, não oiço nada a não ser que saia da tua boca.
na verdade não és tu quem destrói a minha vida (...) são as memórias de nós que o fazem.
na verdade, sobrevivo graças à tua presença. a mesma que faz de mim um aglomerado de dor e que faz também com que haja uma razão para acordar todos os dias de manhã.
mas hoje eu percebi o que os outros diziam ver e que eu recusava aceitar como realidade.
hoje eu percebi que as pessoas só têm a importância que lhes atribuímos.
eu provavelmente atribuí-te demasiada. e provavelmente já devia tê-la retirado.
mas não quero saber. não interessa (...)
construímos o que começou por ser apenas um monte de areia, como todos começam.
mas aos poucos, tu e eu, (o nós daquela altura), foi-lhe dando forma.
construímos um belo palácio, cheio de cantos e recantos, salas estonteantes que enchemos, sobretudo, de memórias:gestos, aromas, palavras soltas.
vivemos lá durante um tempo, que na altura me pareceu insignificante.
hoje vejo que devia ter aproveitado mais, porque agora, uma onda de rancor, mágoa e ciúmes debruçou-se sobre o nosso bocadinho de arte, destruindo-o por completo.
enquanto eu continuo estupefacta a olhar para o nada a que tudo se reduziu, tu, pelo contrário, com esse espírito empreendedor, já começaste a construir um novo.
já quase que acabaram a construção.
é mais rápido com ela, não é ?
claro que é. ela nem hesitou quando, delicadamente lhe pediste ajuda.
eu é que demorei imenso tempo a aceitar tal sublime convite. no entanto, tu não desististe e acabámos por construír aquilo que foi a minha felicidade durante aquele tempo.
mas agora, tu e ela no meio de tanta pressa em terminar, perderam a magia da construção. perderam os sorrisos de quando mãos se encontram por acidente, a mágoa de quando um destrói involuntariamente algum bocado e o conforto de juntos lhe voltarem a dar forma.
adoravas essa parte, eu sei. mas agora apressa-la, pois o tempo está a contar.
no fundo, tu sabes muito bem que nao conseguirão fortificar tão má construção. a areia secou desde a minha passagem e recusa-se a servir-vos neste momento. ela ainda se lembra de mim.
não há-de tardar muito até que a maré encha de novo e destrua esse 'castelo'.
vai encher e vai-me trazer de volta para junto de ti e dos teus destroços.
pena que não queira que voltes. pena que me tenha fartado de construções na areia !
de alguma maneira, de uma forma que me é completamente alheia, captei a sua atenção.
fui dando os sinais errados à pessoa errada e, inevitavelmente, fi-lo apaixonar-se por mim.
devia ser proibido fazer isto às pessoas de quem gostamos: partir corações como quem parte nozes.
onde estavas, enquanto tudo isto acontecia? onde estavas, enquanto tudo se desmoronava?
porque não me paraste, sabendo que serias o único capaz de o fazer ?
porque sei que se alguma vez voltares, enquanto cá estiveres, vais afastar todos os meus fantasmas.
vais-me fazer esquecer tudo o que fiz de mal e as ruas de amargura que criei. mas depois, vais embora.
nem te atrevas a dizer de novo que ficas para sempre. sei que voltarás a partir, desta vez talvez para não voltares nunca mais. mas deixa, não te condeno por isso. nunca te pediria o para sempre, não vou de forma nenhuma prender-te numa caixa imaginária criada por puro egoísmo de te partilhar com o mundo, não de novo. mas quando fores embora,quando te fartares mesmo de mim e queiras explorar o mundo que existe além do nós, ficarei de novo sozinha com estes corações que parti involuntariamente.
tenho uma caixinha para os colocar. mas era o teu que encaixava lá perfeitamente (…)

tropecei mais uma vez no medo que me consumia de não te conseguir esquecer.
a desilusão voltou a fazer parte da minha rotina, assim como os gestos menos felizes.
eu sei que conservar algo que me possa fazer lembrar-te, é admitir que eu não consigo esquecer-te, mas as mais tenebrosas palavras sacodem a minha consciência e para a tornarem tranquila, são aqui transcritas.
nunca o silêncio me foi tão ingrato.
deitaste fora a oportunidade que a vida te deu, subjugaste os teus sonhos e traíste os meus.
fielmente me deste provas de que não valias a pena e acabaste por querer ficar nesse teu mundo, onde não existe nada.
eu queria que tivesses levado contigo todo o sofrimento subjacente á tua ida, mas tu recusaste-o. preferiste ignorar a hipótese de ele existir, mas deixa-me que te diga que ele ainda está bem vivo.
ás vezes eu pergunto-me se existem realmente forças maiores que o meu sentimento por ti, mas a resposta acaba sempre por transparecer em cada lágrima que cai.
e ninguém merece as minhas lágrimas. nem mesmo tu ! pois se realmente as merecesses, certamente não me farias chorar.
(a vida mudou-te e isso dói. já te tinha dito ?)

sabes uma coisa ? ACABOU !
não escolhi bem o caminho, é certo. mas as emoções e a revolta que me fizeste sentir, são coisas que não se esquecem e que hoje, acabaram aqui. tudo se desmoronou por completo.
deixei que fizesses de mim, a rapariga mais feliz do mundo.
obrigada pelos sorrisos e pelos momentos que me proporcionaste. obrigada ainda mais pelo verão que me deste e principalmente: obrigada por me teres ensinado o que é gostar de alguém.
e de certa forma, ainda há mais palavras que gostava de te dizer. há palavras que não foram ditas, mas que te iriam magoar, da mesma maneira que esta história me magoou. talvez seja essa a razão pela qual eu nunca tas disse mas também não esperes que as esqueça.
o que fazes agora não me importa. eu não preciso que me amem para saber o que é amar.
simplesmente não preciso de ti nem das tuas mentiras iludidas pelos teus actos que considerava inocentes.
eu cansei-me de viver a vida dos outros, mas estava ainda mais cansada da vida que tinha.
e apesar de ter sido melhor assim, eu dou por acabado todo o tempo que investi em ti.

estou desiludida comigo mesma.
fui eu quem não parou para pensar que optar por ti era ter de optar entre o teu mundo e o meu.
mas agora ?
agora, descobri um mundo que quero deixar.
descobri que por mais intenso que seja o sentimento que nos invade, ele não nos é tudo e não nos deve impedir de nada, nem mesmo de sonhar.
na realidade, descobri coisas, que nunca me deste a descobrir.
e não era eu quem não sabia falar. eras tu, quem não merecia as palavras.
sinceramente, lamento a importância que não tive na tua vida e as saudades que tenho da sua ilusória existência, mas sinto falta de algo que desconheço (e não, não é de ti). falta-te muita coisa.
talvez seja por tudo isto que eu me sinta assim. é que eu esperava mais, muito mais de mim (...) mas hoje deixei de ter qualquer coisa para te dizer.
dedicaste-te demasiado ás pequenas coisas e tornaste-te incapaz das grandes. decidiste trocar a verdade pela mentira que tens. as escolhas foram tuas.
mas deixa-me que te diga, que também tu me desiludiste.
eu sei que é revoltante e enormemente doloroso sussurrar isto dentro de mim e mais ainda transbordar tal pensamento para fora, mas senti extrema necessidade de o fazer.
"era mesmo isto que querias para ti ?"
acredito que a tua realidade seja diferente da minha, que tenhas imaginação e sucesso em cada coisa que faças e que somes mais conquistas do que derrotas ao estragares a vida aos outros.
só não acredito é que tenhas vida própria !
em contrapartida, começo a achar impressionante o jeito que tens de plagiar os meus textos e de escolher as partes certas quando as adequas ao teu mundo, sem sequer perguntares se podes entrar no meu e levares (tudo) o que queres.
eu sei que já levaste o suficiente, até o mais importante (...) mas queres saber de uma coisa ?
as pessoas repugnantes , dificilmente o deixarão de o ser.
e tu, com estas atitudes, ao alimentares expectativas que não são tuas, nunca terás vida própria como desejarias ter, se soubesses no que realmente te tornaste.

deixo-me levar.
entrego-me á brisa suave que percorre o meu corpo.
espero que o vento me sopre ao ouvido, me diga que estás bem longe e que de maneira alguma, te encontrarei.
fecho os olhos.
oiço o bater do meu coração e suspiro profundamente, esperando abrir os olhos e já não me lembrar de ti nem de nada que nos envolva.
inevitavelmente, "abro" a porta do meu mundo e espero que subitamente entres, sem que me aperceba.
da mesma maneira que sinto a brisa suave que percorre o meu corpo e o vento que sopra ao meu ouvido, fazes-me voltar a sentir o desgosto que me tem preenchido (...) e de seguida só consigo sentir raiva.
guardo-a no peito e deixo que grave com firmeza as tuas últimas palavras e os teus últimos actos.
abro os olhos: não te encontro e muito menos me lembro de ti.
saudades ? o vento levou-as.
quanto ao sentimento, a brisa encarregou-se de o transformar.
a ti, deixo-te no fundo do lugar onde sempre estiveste; no lugar onde sei que não me farás sentir uma derrotada e me deixarás seguir em frente.
o desgosto foi-se mas a raiva não.
as ilusões continuam.
não te culpo, mas também não te subestimo.
por mais voltas que dê, não deixo de sentir as tuas mãos, o teu cheiro, o teu sorriso e a tua respiração.
sei que sonho (não imaginas o quanto), mas isto ultrapassa qualquer sonho meu !
deixo que as palavras contornem cada linha do meu pensamento, em que o ponto de partida és tu.
até faço melhor: fecho os olhos e leio esses contornos, relembrando-os como um passado.
na realidade, o melhor passado. o passado que eu queria que se mantivesse como presente e me levasse ao futuro com contornos infinitos do pensamento, que hoje tenho sobre ti.
não me esqueço de todas as vezes em que me dizias que era a mulher da tua vida, ou que não me querias perder. não me esqueço das vezes em que me roubaste sorrisos e me fizeste acreditar no que sentia.
não me esqueço de ti. não me esqueço do "nós".
sei que um dia, vais acreditar e realmente perceber o que se passa comigo quando não te tenho do meu lado (...)
mas até lá, deixa-me SONHAR.
"eu sou meu dono, eu penso e concretizo.
feliz sou, por saber que sou livre para isso !
olho pela janela, e ainda há tanto por ver,
esse tanto é simplesmente aquilo que eu quero conhecer.
ter poder na mão, ter o sol e a lua,
viajar á descoberta de uma sensação pura.
enriquecer por dentro e claro: partilhar !
para que desta liberdade possam todos desfrutar.
desejo tudo, sou assim por natureza e nesta curta passagem, sigo com uma só certeza:
a liberdade, ninguém ma pode tirar. "

" sonhos que sonhei ... onde estão ?
horas que vivi ... quem as tem ?
de que serve ter coração e não ter o amor de ninguém ?
beijos que te dei ... onde estão ?
a quem foste dar, o que é meu ?
vale mais não ter coração, do que ter e não ter, como eu. "

desta vez, bateste fundo .
contrariamente ao que sempre soube,deste-me a entender que afinal, aquela pessoa a quem nós dedicamos a vida e a quem confiamos tudo , pode apenas não passar de uma mera pessoa; um ser invulgar e comum a todos os outros.
contrariamente ao que também sempre pensei, mostraste-me que mais uma vez, as segundas hipóteses, não passam mesmo de segundas hipóteses e que os contos de fada começados por "era uma vez..." e acabados em "... e viveram felizes para sempre.", não valem nada.
tu, que sempre soubeste e idealizaste os teus sonhos, fizeste com que deixasse para trás os meus e me concentrasse no nosso mundo, coisa que fiz. e fi-lo da melhor maneira, pois mais ninguém era capaz de demonstrar da mesma forma que eu aquilo que eu sentia por ti.
basicamente, fui o que quiseste que eu fosse.
adormecia embalada pelas tuas palavras no meu pensamento e acordava com um sorriso dedicado a ti. não tinha medo de adormecer, muito menos de acordar.
fizeste com que me sentisse segura, protegeste-me e eu amei-te da maneira que mais ninguém te vai amar. amei-te de uma forma continua, no meio de lágrimas e sorrisos dos quais eu nunca me esquecerei. amei-te muito . demais, até.
mas tu ? tu limitaste-te a esquecer muito depressa.
e não há mais nada, eu sei. mas o vazio que havia dentro de mim, deu lugar ás vezes todas em que sussurravas "amo-te" ao meu ouvido. e isto, eu tenho a certeza que ninguém me vai "roubar" ou fazer esquecer, apesar de toda a raiva que me preenche.
não sei.
não sei porque ainda te escrevo nem até que ponto me és indiferente.
simplesmente não sei.
nunca me deixaste perceber até que ponto me eras indiferente, nem nunca quiseste sabê-lo, mas escrevo-te e isso é um facto.
tudo o que recordo flue tão facilmente, tudo o que passamos traduz-se tão bem em palavras que no fundo dizem tão pouco comparando com tudo o que fomos.
os momentos e as sensações surgem na memória e transformam-se em letras, o teu próprio ser torna-se algo quando transcrito em vocábulos. mas não sei.
as lágrimas já não correm é certo, mas as memórias continuam, os momentos simples e espontâneos ainda surgem.
se isto acontece como me podes ser indiferente ? talvez não o sejas.
talvez nunca o vás ser, porque foste alguém . alguém que marcou um capítulo da minha história e que por mais que o tempo avance não vai desaparecer, não vai ser esquecido (...)
foste algo inexplicável e tão deplorável ao mesmo tempo. como é que é possível ?
escrevo-te e só relembro os bons momentos.
não te atiro à cara tudo o que me fizeste, o quanto me magoaste. porquê? não sei.
já te amei. já te odiei. agora és-me indiferente.
mas se o és porque te escrevo? porque te recordo?
sim, tenho saudades daquela altura. tenho principalmente saudades de tudo o que um dia me fizeste sentir, mas foi melhor assim.
parabéns .
parabéns pelo que fizeste, parabéns pelo que não fizeste e parabéns pelo que estás a fazer !
é mesmo assim que funciona, não é ? tudo bem.
ainda não dá, mas eu vou acostumar-me a viver sem a tua presença.
(eras o melhor de mim).